Nao é um céu apenas,é um pedaço do mundo que nos alimenta a alma,a uns confere asas para voar,a outros olhos que se fixam nelas,ha quem anseie tanto o céu que se esquece da existência terrestre...Há quem caia sem saber,outros caiem sabendo que será inevitavél entao,a queda.O céu,aquele fragmento de eternidade,nao é o céu apenas mas é o “eu”.Quem se esquece do céu esquece-se de si mesmo pois os olhos que vêem o pormenor sao os olhos do foco e da alegria.Os olhos cansados,aqueles que dormem mesmo de dia...Esses olhos o nada alcançam.
Esqueci-me de mim mesma e hoje voltei a ver-me,com todas as minhas cores e formas,desde os azuis mais ternurentos até aos cinzentos que só os pastores conhecem.Serei eu?Seremos nós,como o céu,seres de cores e de tempos,de fases e de progresso de calor e ranger de dentes?Seremos nós?Ou fui eu apenas que quis ver no céu algo maior,algo que me fizesse sentir culpada por o esquecer.
Surgem dias em que me lembro que ali se encontra,suspenso por cordas invisiveis por cima do meu olhar.Quando o céu chora é um desses momentos...Porque só reparo eu no céu quando este chora?Porque só reparamos nós quando o céu chora...Talvêz por possuirmos a tendência inata de reparar em coisas apenas,quando estas se tornam negativas,quando estas quase nos obrigam a reparar,quando é tarde de mais para abrir um guarda-chuva porque nao tratamos de o levar conosco.
E por consequência nesse dia também me esqueci do meu,o esquecimento tem o seu preço,a falta de sensibilidade para prever um acontecimento igualmente o tem e assim passei o dia a caminhar no meio da àgua.
La estava ela,a chuva,la estava ele o céu,a contemplar-me e eu a ele e a susurrar-me com a ajuda do vento:
- Pssst....Próxima vez nao te esqueças de mim.
E eu sorri,um tanto incomodada pela minha falta de tacto pedindo desculpa com o silêncio por momentos,seguido de um “Nao me esquecerei”.
E assim foi,cada vez que coloco os pés na rua,olho para o céu,como se a natureza assim o quisesse ou algo maior ainda.
- Bom dia céu,estás elegante hoje,com esses violetas e esses pedaços esfarrapados de madre pérola.
O céu continua ali sentado,imóvel,nao preciso que me responda pois o meu acto responde por si mesmo.


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